domingo, 5 de junho de 2011
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
O Brasil está decadas atrasado no ensino de inglês
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
sOMETHING GOOD TO BE READ
domingo, 4 de outubro de 2009
A pedagogia Espirita
A Pedagogia Espírita
Dora Incontri
Palestra Virtual Promovida pelo Canal #Espiritismo (http://www.irc-espiritismo.org.br) em conjunto
com o Centro Espírita Léon Denis (http://www.celd.org.br) Rio de Janeiro 09/07/1999
Organizadores da palestra:
Moderador: "Caminheiro" (nick: Moderadeiro)
"Médium digitador": "Brab" (nick: Dora_Incontri)
Oração Inicial:
presente em nossos corações, de forma que nossa palestrante esteja plenamente envolvida pelos
guias espirituais e que cada um de nós esteja aberto a receber os conhecimentos e ensinamentos
que serão proporcionados. Dá-nos, Pai, sabedoria! Envolve-nos em bênçãos e educa-nos no amor!
Assim seja.
Apresentação do palestrante:
pela Internet. Pedagogia espírita é o tema com o qual tenho me relacionado já há vários
anos. Sou jornalista, mas desviei-me para o campo da educação, fiz mestrado na USP sobre
Pestalozzi, estou fazendo doutorado sobre Pedagogia Espírita, também na USP. Tenho
escrito vários livros a respeito e ando falando Brasil afora sobre esse tema. Nasci em família
espírita, sou médium desde 11 anos de idade e as duas grandes influências na infância e na
adolescência que me levaram para a educação espírita foram a minha mãe e o Professor
José Herculano Pires, de quem me considero discípula.
Considerações iniciais do palestrante:
nos antecessores do Espiritismo, que são os grandes pedagogos que antecederam o Mestre
de Lyon. Na Antiguidade, Sócrates e Platão, depois Comenius no Século XVII e Rousseau e
Pestalozzi, todos eles deram contribuições importantes que desembocam numa proposta espírita
de educação, mas a prática da pedagogia espírita começou no Brasil com Eurípedes
Barsanulfo, em Minas Gerais, no começo do Século XX, depois vieram outras experiências e
outros teóricos, entre eles Herculano Pires, que foram dando suas contribuições para a
elaboração de um pensamento pedagógico espírita. Atualmente, cabe-nos sistematizar melhor
todas as idéias esparsas e darmos corpo à pedagogia que deve formar o homem do futuro.
Perguntas/Respostas:
reprodutora da escola e da educação. De que forma age neste tópico a pedagogia espírita -
o tópico da "reprodução"?
ser uma escola completamente revolucionária, rompendo com o sistema vigente, pois a educação
tradicional já não atende as necessidades do homem à beira do terceiro milênio. A escola deve ser
antes renovadora do que reprodutora do Status Quo *1.
deixa entrever que as preocupações do Codificador para com a educação já era meio que
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uma premonição da tarefa que ele desempenharia mais tarde, como Espiritismo. Pode
ampliar um pouco esse pensamento?
codificar o Espiritismo, porque a própria Doutrina é uma proposta pedagógica e pretende promover
a educação do Espírito. Se tivesse sido um cientista na forma tradicional, talvez o Espiritismo
tivesse ficado apenas nos fenômenos de efeitos físicos. Se fosse um filósofo de gabinete, talvez o
Espiritismo tivesse pendido para uma especulação excessiva da metafísica. Se fosse um
sacerdote, talvez o Espiritismo tivesse se tornado uma seita a mais entre as tantas que existem.
Sendo educador, Kardec direcionou o Espiritismo para a sua verdadeira função: de
sintetizar o conhecimento humano reunindo todas as áreas e, ao mesmo tempo, propor ao
homem um caminho de auto-educação.
possibilidade de uma educação liberal e libertária, que respeita, acima de tudo, o educando,
suas vontades e suas características pessoais. Estaria aí um exemplo do que
deveria/poderia ser uma escola espírita?
em Yverdon, praticava essa liberdade de ação em que as crianças podiam escolher atividades e
até poderiam entrar e sair do castelo à vontade. Nos EUA, na década de 30, outra experiência
interessante, a do padre Flanagan, também mostrou que a liberdade é fator preponderante
inclusive na recuperação de crianças e adolescentes considerados delinqüentes. Flanagan
fundou a cidade dos meninos, onde os próprios adolescentes geriam a comunidade, trabalhavam e
tinham plena liberdade de entrada e saída. No caso de Summer Hill, o fator liberdade é bastante
elogiável, mas do meu ponto de vista faltou a Neil a afetividade e a concepção espiritualista que
tanto Pestalozzi quanto Flanagan possuíam, porque a preponderância moral de ambos garantia
que a liberdade tivesse um resultado positivo.
àquelas pessoas sofredoras, mas não seguidoras da Doutrina?
alheia. Assim, seja para pessoas sofredoras ou não, a nossa postura de espíritas nunca pode
ser proselitista *3, doutrinante. Se indagados sobre o conteúdo da Doutrina, expliquemo-lo da
melhor maneira possível, mas nunca devemos impor a ninguém a nossa visão de mundo. O nosso
exemplo é que deve contagiar e atrair.
significa sua frase: "A escola deve ser antes renovadora do que reprodutora do Status
Quo"?
uma lousa na frente, as crianças sentadas, passivas, apenas ouvindo falar coisas que elas não
sabem de onde vem, nem para que servem e nem se algum dia vão usar; a escola estará
formando pessoas sem iniciativa, sem espírito crítico, sem ímpeto de liderança, e sem
possibilidade de mudar o mundo. A escola precisa mudar para formar pessoas que possam
mudar as coisas.
crianças? Como aprender e ter, ao mesmo tempo, responsabilidade?
no solo da liberdade". Ninguém aprende a ser responsável apenas obedecendo ordens.
Ninguém aprende a agir moralmente agindo sempre sob coerção *5. A virtude moral só pode
brotar da livre escolha do indivíduo. Aliás, a própria pedagogia Divina age assim conosco,
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ela nos deixa aprender com nossos próprios erros, para alcançarmos a moralidade no clima
da liberdade.
exortar *7 os educandos a seguir nossa visão de mundo ou educá-los apenas com o
exemplo?
adolescentes, jovens, adultos) de qualquer credo ou visão de mundo. A pedagogia espírita é
uma visão da educação, é uma proposta diferenciada de praticá-la. Não significa,
necessariamente, ensinar o conteúdo espírita. Esse conteúdo só deve ser ensinado àqueles
que assim o desejarem. Refiro-me à escola, que é um lugar que deve acolher pessoas de
qualquer origem ou religião. Não se dá o mesmo na família, onde os pais espíritas têm o
dever de mostrar aos filhos a sua cosmovisão.
conquista de liberdade para os homens. Jesus, o Magnífico Educador, nos disse que
quando conhecêssemos a verdade, ela nos libertaria. Seria a educação espírita um caminho
para se atingir o conhecimento dessa verdade? Quais as implicações sociais de uma
educação espírita, do ponto de vista da libertação do educando?
lidando com uma vontade livre quando lidamos com o educando. O que o educador pode e
deve fazer é convidar, contagiar, estimular, despertar essa vontade para que ela se assuma no
sentido da evolução moral e intelectual. Quanto maior o amor, a doação, o desinteresse, a
abnegação do educador, maior poder ele terá de conquistar a adesão livre do educando
para que ele mesmo promova a sua auto-educação.
receber os espíritos que estão reencarnando e que possuem uma inteligência que, para
muitos, é considerada acima da média?
tempos não estão mais se adaptando ao esquema tradicional da escola. Tanto isso é fato que
qualquer professor hoje sabe dos problemas de disciplina e desinteresse que existem nas escolas.
Esses problemas demonstram que a escola não está adequada às atuais gerações. É preciso
uma escola muito mais ativa, dinâmica, que respeite a inteligência das crianças, mas é
também preciso uma escola que saiba que a criança é um ser reencarnado e a finalidade da
sua educação não é apenas moldá-la para o mercado de trabalho, mas para a sua realização
humana, para o cumprimento da sua missão e para a sua transcendência.
transformadoras do mundo ou de si mesmas? Qual é mesmo a proposta da pedagogia
espírita?
de vista social e mesmo político. Basta ler alguns trechos das Leis Morais de "O Livro dos
Espíritos", como, por exemplo, os itens referentes à igualdade, à liberdade, etc, para vermos que
o Espiritismo tem uma proposta de reforma social bastante explícita. Minha mãe, Cleusa
Beraldi Colombo, já desencarnada, fez uma tese na PUC-SP sobre as idéias sociais espíritas,
estudando o componente de reforma que o Espiritismo propõe. Essa tese está publicada pela
minha editora (Comenius), sob o título "Idéias Sociais Espíritas".
defende o fim da "carranquice da escola" em seu livro "A Alegria na Escola". Morando na
periferia de S. Paulo, vejo as escolas públicas funcionando como locais de encontro da
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comunidade. Sem dinheiro para outros programas, os adolescentes se arrumam, maquiam,
perfumam; para irem à escola. Fazem dela o "point da turma". Como deve o educador
espírita ver e viver seu papel na escola pública da periferia (em relação ao educando, aos
demais educadores e à comunidade)?
deixar de ser essa prática chata e monótona de que nenhuma criança gosta. Porém, acho que
essa sua observação nas escolas de periferia de São Paulo demonstra antes uma ausência de
uma proposta de fato educacional. O educador não pode ser coercitivo, mas deve se
empenhar para despertar um processo de aprendizagem prazeroso, porém sério e
produtivo.
evangelização do setor 3 da Fraternidade dos Discípulos de Jesus, quanto à passividade
com que se ouve palestras lá, quase sem poder discutir? [13] <_Mara_> Como essa
proposta que você nos traz afeta os moldes da evangelização infantil e juvenil, no
movimento espírita de hoje?
pedagogia espírita. Tem simplesmente adotado os moldes tradicionais de
educação de forma autoritária em que o freqüentador dos cursos é sempre
tratado de forma paternalista. É preciso que, no centro espírita, quando
quisermos ensinar um conteúdo espírita, esse conteúdo seja trabalhado
dentro de uma proposta pedagógica espírita. Isso significa incentivar a
participação, a interação, o diálogo, o debate livre, o estudo em grupo e
abolir todas as formas de coerção.
questão pedagógica, enquanto um questão apenas para a sala de aula. Ao pensarmos numa
escola voltada para a comunidade como um todo, desejei questionar a história de uma
escola antes para toda a comunidade que apenas para as crianças. Não seria essa uma
proposta pedagógica realmente inovadora?
volta, fazendo pontes com a comunidade para que a educação recupere a sua ligação com a
vida. Atualmente, a escola vive de abstrações desconectadas de qualquer experiência concreta,
de qualquer conteúdo real.
presença rígida, a partir de 7 faltas no 1º ano o aluno é obrigado a repor as aulas perdidas e
a partir de 14 faltas ele tem que repetir o ano novamente. O que nos diz deste método de
disciplina?
Pedagógicos em São Paulo de que sou um dos membros fundadores e lá funciona da seguinte
maneira: os alunos começam a assistir o curso no período do ano em que desejarem. Se
perderam os primeiros meses, eles os fazem no ano seguinte. A freqüência é controlada
apenas pró-forma, não há notas, não há provas, não há questionários. Os alunos adoram o
curso, se interessam, participam. Para mim é a melhor prova de que estão aprendendo algo.
Na Sociedade de Estudos Espíritas de Paris, dirigida por Kardec, os freqüentadores eram
tratados com o mesmo respeito à sua liberdade.
em relação aos tempos antigos, quando era ministrada ao ar livre?
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educação é conectar o homem novamente com a natureza. Tanto é que considero uma
escola espírita, nos moldes aqui discutidos, necessariamente, cercada de verde, com aulas
ao ar livre, com espaço vital para que a criança possa se expandir e interagir com a
Natureza.
que pensar do construtivismo como metodologia e objetivo na evangelização? Como aplicálo
ali?
novidade pedagógica. Entretanto, ele vem desde o tempo de Sócrates e Platão passando por
Rousseau e Pestalozzi. A idéia central do construtivismo é a de que o indivíduo constrói o
seu próprio conhecimento e só pode fazê-lo através da ação. Essa idéia é absolutamente
verdadeira. Mas o construtivismo geralmente aplicado e estudado entre nós é um
construtivismo materialista, porque é baseado em Vigotsky e Piaget, ao passo que o
construtivismo desses outros autores que antecederam o Espiritismo é um construtivismo
espiritualista. Poderíamos, portanto, dizer, a grosso modo, que a proposta de pedagogia
espírita é um construtivismo espiritualista.
certos interesses, digamos, "oficiais", de que modo a pedagogia espírita poderia colaborar
com o sistema de ensino vigente?
ocorrer fora do sistema oficial. O Estado é um entrave ao progresso da educação porque
tem muitos interesses imiscuídos *8. Também as escolas particulares dependem da
mentalidade de quem as paga, portanto, dos pais e estes nem sempre estão sensibilizados para as
mudanças necessárias. Talvez a solução sejam escolas em forma de cooperativa, onde nem o
Estado pode colocar limites e nem o dinheiro entre como fator que regule a pedagogia.
realizada nos centros desconhece a pedagogia espírita? [20]
centros espíritas a pedagogia espírita não é aplicada, como poderíamos preencher essa
lacuna entre os nossos próximos, para o ensino da doutrina?
pedagogia espírita. Precisamos recuperar o tempo perdido estudando seriamente as propostas
educacionais espíritas e aplicá-las com crianças, adolescentes, jovens e adultos.
espírita?
educando. O exemplo arrasta e as palavras somem ao vento.
casas espíritas? Muitos templos religiosos cedem seus espaços para isso. Deveríamos fazer
o mesmo nos centros de que participamos? E como relacionar essa alfabetização de
adultos com pedagogia espírita?
promover todos os tipos de educação e de incentivo à cultura. Disse o Espírito da Verdade
na mensagem que ditou a Kardec e que consta em "O Evangelho Segundo o Espiritismo":
"Espíritas, amai-vos e instruí-vos". Assim, o movimento espírita deveria fazer muito mais do que
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faz para instruir o povo e dar-lhe os instrumentos necessários à sua evolução moral e
intelectual. Mas todas as propostas educacionais deveriam ser inspiradas numa visão espírita de
educação, o que implica métodos participativos e respeitadores da individualidade dos
alunos.
raças, épocas, etc.; podemos então dizer que a pedagogia espírita visa implantar no homem
a ética e não a moral?
relativista da moral, não é o conceito espírita. Basta ver que em "O Livro dos Espíritos" há toda
uma parte dedicada às leis morais e essas leis são consideradas atemporais e supra-culturais
porque estão inscritas na consciência humana. O que variam são os costumes, são as diversas
interpretações da moral. A ética é o ramo da filosofia que estuda a moral e, popularmente,
poderíamos dizer que ética e moral são uma e a mesma coisa, apenas a palavra "moral" anda
desgastada e é muitas vezes vista como moralismo e por isso muita gente prefere usar a palavra
ética. Parece mais "chique" e menos piegas.
invariável, independente da classe sócio-econômica dos educandos que freqüentam a
escola?
humano diferente dependendo da classe social de que ele se origina. Pedagogia espírita
dirige-se ao espírito eterno. É evidente que há componentes sociais, influências do meio,
que deverão ser consideradas na aplicação de uma pedagogia espírita. Porém, ela é muito
mais universal que classista.
caminho viável de transformação do ser humano. Será que se fundássemos comunidades
espíritas, conseguiríamos aí, dentro delas, condicionar nossos filhos dentro de uma
educação verdadeiramente voltada para os ideais espíritas?
se opõe a uma pedagogia espírita. Ele via o ser humano apenas como um ser animal cujo
comportamento deveria ser condicionado na base da coerção ou do estímulo. A pedagogia
espírita vê o homem como um ser espiritual livre e transcendente que deve usar a sua razão
para construir o seu ser e para conquistar a sua moralidade.
marxista? Haveria algum ponto em que ambas se toquem ou se devessem tocar?
marxista. Acho que aquilo que Marx teve de positivo em suas teorias ele as tirou dos socialistas
utópicos que o antecederam e as mesmas teses aparecem também nas propostas anarquistas,
com a diferença de que Marx, no fundo, era autoritário. A visão marxista reduz o homem ao seu
aspecto social, vendo nele apenas o produto do seu meio. A visão espírita, evidentemente, leva
em conta o ser social, mas enxerga o homem transcendente. Esse ponto de partida
diferenciado é que provoca as divergências.
religiosa nas escolas públicas?
opinião do movimento espírita. Acho que a dimensão religiosa na educação é essencial.
Tirar a religião do conteúdo do ensino é amputar um dos aspectos fundamentais do ser
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humano. É evidente que nem na escola pública, nem e em nenhuma outra escola, a religião
deve ser objeto de doutrinação. Precisaríamos preparar professores que soubessem dar
aulas de religião comparada, respeitando as diversas manifestações da religiosidade
humana, e, considerando aquilo que existe de comum em todas elas. Eu mesma já realizei
experiências interessantes nesse sentido com crianças de todas as idades numa escola particular
em São Paulo.
Barsanulfo e Dr. Thomás Novelino. E gostaria também que ela fale sobre a pedagogia do
amor e sobre a pedagogia de Jesus.
opinião, o maior educador espírita brasileiro. Foi ele que dirigiu o primeiro colégio espírita
do mundo, Colégio Allan Kardec, e lá se praticava de fato uma pedagogia diferente. O
Alessandro, que está aqui comigo e faz parte do Instituto Espírita de Estudos Pedagógicos está
atualmente realizando uma pesquisa a respeito de Eurípedes. Tomás Novelino, que foi discípulo
de Eurípedes, fundou o Educandário Pestalozzi, uma escola espírita em Franca que também
abriu caminhos para a pedagogia espírita. A pedagogia do amor é a pedagogia espírita.
Falamos aqui já em liberdade, em moralidade, em autonomia, mas aquilo que realmente vai
promover a educação do homem, garantindo que ele direcione a sua liberdade para o bem é
a força do amor que o educador tiver por ele. Exemplo desse amor está em Jesus. Há
milênios que ele trabalha pela evolução da humanidade, sendo o mentor e o Mestre da
nossa educação, mas não usa conosco nenhum meio violento ou impositivo. Ele nos ama,
se sacrifica por nós, trabalha incessantemente e espera a nossa adesão ao seu projeto de
estabelecer o Reino de Deus na Terra.
você afirma que "o homem é um ser interexistente". O que significa isso e que tem a ver
com educação?
homem não existe apenas no mundo como um ser carnal, mas interexiste como ser carnal e
como ser espiritual. Ele não vive apenas mergulhado na matéria, mas expande-se, está em
constante sintonia com o mundo espiritual, seja através do sono, da mediunidade, da
percepção intuitiva, etc. Aplicando-se isso na pedagogia, devemos educar o indivíduo para
que ele possa construir-se tomando consciência de sua interexistência e não se considere
apenas um bicho da Terra cujo destino é o pó.
educação das pessoas, desde o ponto de vista de uma pedagogia espírita?
idéia espírita brilhe na sua proposta pedagógica e cultural. É fundamental que tudo aquilo que
divulgarmos para o mundo não tenha um caráter puramente religioso e nem caia numa
linguagem excessivamente mística. É verdade que o Espiritismo tem a sua dimensão
religiosa, mas ela é parte integrante de um todo mais abrangente.
"educação reprodutora do Status Quo"? Como "fazer-se a cabeça" dos professores de
nosso tempo?
é aquilo que nos move para o progresso, é o ideal que nos inspira, é uma visão do futuro.
Portanto, a escola tem que propor uma utopia. Só assim sairíamos da mesmice e da
passividade em que nos encontramos. Os professores precisam se tornar conscientes do
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seu papel de agentes transformadores e formadores do futuro. Devem estar embebidos de
uma visão utópica para que a sua prática possa ganhar qualidade e eficácia.
instrução militar? Como conciliar a força do amor com a força das armas?
espírita não tem conciliação possível com a disciplina militar, rígida, opressora da
individualidade, doutrinadora das consciências. Ghandi, o maior espírito do século XX e um
dos maiores já reencarnados na Terra pregou a não-violência como forma de atingirmos
uma sociedade ideal. Acredito que todo espírita tem o dever de aderir à não-violência,
porque é a não-violência a própria essência do Cristianismo.
pedagogia espírita em um canal de IRC?
raciocínio e conhecimento profundo de Kardec.
criação de escolas regulares de orientação espírita? Pode isso ajudar ou atrapalhar os
objetivos doutrinários?
porém, que essas escolas não são escolas proselitistas, onde todas as crianças deverão
ser ou se tornar espíritas, mas devem ser escolas onde se aplique uma pedagogia espírita,
onde todas as crianças devem ser vistas como espíritos reencarnados e tratadas como tal.
Considerações finais do palestrante:
parabéns e a mensagem final é de que devemos nos conscientizar de que o Espiritismo é, em
si mesmo, uma proposta pedagógica. Podemos melhor entendê-lo e melhor praticá-lo
quando assim o consideramos, deixando os vícios igrejeiros do passado e trabalhando por
uma civilização nova onde a cultura seja elevada e espiritualizada.
Oração Final:
<_Alves_> Pai Amado, humildemente nós lhe agradecemos pelas instruções que recebemos na
noite de hoje. Possa, Senhor, estas belas palavras entrarem no mais profundo dos nossos
conscientes, para que, ao compreendê-las em sua profundidade, possamos, também, colocá-las
em prática. Sejamos, Pai Querido, os exemplos de alunos e mestres para as futuras gerações, com
todo o conhecimento que esta amada doutrina nos dá. Aproveitamos, Senhor, para pedir-lhe que
ilumine sempre os caminhos de nossa irmã Dora, para que ela possa levar avante este trabalho de
elucidação de seus irmãos. E que teus mensageiros divinos estejam sempre conosco, a nos
orientar, também. Sê conosco, Senhor, agora e sempre. Que assim seja!
Comentários/significados :
*1) "Status quo" é uma expressão latina que designa o estado atual das coisas, seja em que
momento for. Emprega-se esta expressão, geralmente, para definir um mau estado de
coisas, com o qual se está descontente mas que, por qualquer motivo, parece ser defendido
por muita gente. Na generalidade das vezes em que é utilizada, a expressão aparece como
"manter o status quo" ou "defender o status quo".
Retirado de "http://pt.wikipedia.org/wiki/Status_quo"
*2) Summerhill - O Sonho de Liberdade de A S. NEILL
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Summerhill é uma escola que foi criada em 1921, pelo professor e escritor Alexander
Sutherland Neill. A. S. Neill. Ele e sua escola se tornaram mundialmente famosos no
final dos anos 70, com a publicação de "Summerhill (A Liberdade sem Medo),
Transformação na Teoria e na Prática", livro sobre a experiência revolucionária de
uma escola-comunidade formada por crianças, jovens e adultos (diretor, professores e
funcionários), em regime de internato, em que os alunos não são obrigados a
freqüentar as aulas. Apesar de haver classes das principais disciplinas, não existem
exames ou provas e todas as regras são determinadas em conjunto, por acordo, pelos
alunos e pelo staff, em reuniões periódicas... A escola abriga crianças entre 5 e 18
anos... continua em atividade. Hoje, a escola é dirigida pela filha de A. S. Neill, Zoë
Readhead. (Maiores detalhes:
http://www.educacaopublica.rj.gov.br/jornal/materia.asp?seq=115 )
*3) Proselitista: Sectarista; Intolerante, intransigente;
*4) Pragmática: Objetiva, direta, eficiente;
*5) Coerção: Coação; Ato ou efeito de constranger; Obrigar usando de violência; Forçar;
*6) Eminentemente: Altamente; Elevadamente;
*7) Exortar: Animar, incitar, instigar, impelir; Aconselhar, procurar induzir;
*8) Imiscuído: Intrometido;
Reprovados e mal pagos
O Blog do Cristovam recomenda a leitura da reportagem "Reprovados e mal pagos", da autoria de Diego Moraes, publicada hoje no Correio Braziliense. A matéria mostra o triste quadro do magistério brasileiro, a partir dos dados do estudo "Professores do Brasil: impasses e desafios", divulgado pela Unesco, com dados do IBGE e do Ministério da Educação. O estudo demonstra algo que Cristovam Buarque tem dito com insistência: a situação da nossa educação é tão precária que mudanças feitas agora só começariam a ser percebidas em duas décadas. Se o Brasil reformulasse hoje os currículos de licenciatura, investisse em formação profissional, aumentasse os salários e desse estrutura às escolas, os primeiros resultados apareceriam em vinte anos. "É por isso que os políticos resistem em investir em educação. Porque o resultado demora. Mas esses investimentos precisam acontecer. O país só irá mudar assim", comenta Cristovam.
O quadro demonstrado pela reportagem de Diego Moraes é o seguinte: a média de escolaridade dos professores brasileiros é de 14 anos. O tempo mínimo necessário para a conclusão dos ensinos fundamental, médio e superior é de 15 anos. Ou seja, isso mostra que, ao contrário do que determina a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, uma grande parcela dos professores brasileiros não tem nivel superior completo. Na verdade, 9,8% dos professores dos ensinos infantil e fundamental não tem sequer o ensino médio. Existem nada menos que 20,3 mil professores que têm apenas o ensino fundamental, ou menos ainda. Enquanto em países como a Dinamarca e a Finlândia um professor iniciante não ganha menos de R$ 4,5 mil, o salário inicial de um professor no Brasil não chega a R$ 1 mil. A média salarial dos professores da educação básica é R$ 1.215. No Nordeste, metade dos professores ganha menos que R$ 450. Não há outra categoria com exigência de diploma superior que tenha uma média salarial tão baixa. Professores ganham menos que dentistas, que advogados, que farmacêuticos, que arquitetos, que biólogos, que enfermeiros.
Em duas páginas, a reportagem do Correio pega esses dados e números e os humaniza com as história de alguns professores. Ao final da leitura, fica o gosto amargo: mesmos com Copas do Mundo, Olimpíadas e um presidente simpático que o mundo acha que é "o cara", onde poderá mesmo chegar um país com uma educação como essa?
Esta matéria foi enviada em domingo, 4th de outubro de 2009 às 12:01 e classificada como Notícias. Você pode seguir todas as respostas e comentários em RSS 2.0 feed.
