Reprovados e mal pagos
O Blog do Cristovam recomenda a leitura da reportagem "Reprovados e mal pagos", da autoria de Diego Moraes, publicada hoje no Correio Braziliense. A matéria mostra o triste quadro do magistério brasileiro, a partir dos dados do estudo "Professores do Brasil: impasses e desafios", divulgado pela Unesco, com dados do IBGE e do Ministério da Educação. O estudo demonstra algo que Cristovam Buarque tem dito com insistência: a situação da nossa educação é tão precária que mudanças feitas agora só começariam a ser percebidas em duas décadas. Se o Brasil reformulasse hoje os currículos de licenciatura, investisse em formação profissional, aumentasse os salários e desse estrutura às escolas, os primeiros resultados apareceriam em vinte anos. "É por isso que os políticos resistem em investir em educação. Porque o resultado demora. Mas esses investimentos precisam acontecer. O país só irá mudar assim", comenta Cristovam.
O quadro demonstrado pela reportagem de Diego Moraes é o seguinte: a média de escolaridade dos professores brasileiros é de 14 anos. O tempo mínimo necessário para a conclusão dos ensinos fundamental, médio e superior é de 15 anos. Ou seja, isso mostra que, ao contrário do que determina a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, uma grande parcela dos professores brasileiros não tem nivel superior completo. Na verdade, 9,8% dos professores dos ensinos infantil e fundamental não tem sequer o ensino médio. Existem nada menos que 20,3 mil professores que têm apenas o ensino fundamental, ou menos ainda. Enquanto em países como a Dinamarca e a Finlândia um professor iniciante não ganha menos de R$ 4,5 mil, o salário inicial de um professor no Brasil não chega a R$ 1 mil. A média salarial dos professores da educação básica é R$ 1.215. No Nordeste, metade dos professores ganha menos que R$ 450. Não há outra categoria com exigência de diploma superior que tenha uma média salarial tão baixa. Professores ganham menos que dentistas, que advogados, que farmacêuticos, que arquitetos, que biólogos, que enfermeiros.
Em duas páginas, a reportagem do Correio pega esses dados e números e os humaniza com as história de alguns professores. Ao final da leitura, fica o gosto amargo: mesmos com Copas do Mundo, Olimpíadas e um presidente simpático que o mundo acha que é "o cara", onde poderá mesmo chegar um país com uma educação como essa?

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